
Se a eleição indireta para o Governo do Rio Grande do Norte realmente acontecer, a escolha formal será feita pelos 24 deputados estaduais. Mas, olhando para os bastidores da política potiguar, há uma leitura que começa a ganhar força: a principal chave desse processo pode estar nas mãos de Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB).
Deputado estadual há vários mandatos e uma das figuras mais influentes da Assembleia Legislativa, Ezequiel construiu ao longo dos anos uma rede de articulação política que atravessa diferentes grupos e partidos dentro da Casa.
Em uma eleição decidida exclusivamente pelos deputados, esse tipo de articulação passa a ter peso ainda maior. Para vencer a disputa, um candidato precisaria reunir 13 votos, número que exige construção de maioria dentro do próprio Parlamento.
E é exatamente nesse ponto que o nome de Ezequiel Ferreira surge como peça central do tabuleiro político. Nos bastidores, a avaliação de muitos parlamentares é de que dificilmente um nome chegaria competitivo a uma eleição indireta sem passar antes por algum nível de entendimento político com ele.
Isso não significa que o resultado dependeria apenas de uma decisão individual. Mas, em um processo decidido voto a voto dentro da Assembleia, a capacidade de articulação e influência política de Ezequiel Ferreira tende a pesar de forma decisiva na formação da maioria necessária para eleger um eventual governador tampão.
Se o cenário de vacância no governo estadual realmente se concretizar, a eleição indireta deixará claro um ponto fundamental da política: quando a disputa acontece dentro do Parlamento, quem domina a articulação interna costuma ter vantagem no jogo.

