
Esta quinta-feira (26) foi mais um dia de torneiras secas na Zona Oeste de Natal. Em bairros como Cidade Nova e Felipe Camarão, o abastecimento foi interrompido por volta das 9h da manhã. Já passam das 19h e, até o momento, a água não voltou.
Não é a primeira vez. E é justamente isso que mais incomoda.
A falta de água na Zona Oeste tem se tornado recorrente. O problema não surge como surpresa pontual, mas como um ciclo que se repete. Enquanto isso, a pergunta permanece: por que sempre aqui? Por que a interrupção se tornou quase parte da rotina de quem mora nessa região?
Além de Cidade Nova e Felipe Camarão, o blog apurou que o bairro Planalto também está sem água nesta quinta-feira. Moradores relatam que, naquela região, o abastecimento tem sido interrompido com frequência após as 10h da manhã, praticamente todos os dias, deixando a população sem previsão de retorno e sem qualquer explicação oficial.
Ao acessar o site da Caern nesta data, não havia qualquer aviso informando paralisação no abastecimento em Natal, muito menos explicação específica para a Zona Oeste. Ao ligar para o 115, a resposta foi de que não havia registro oficial de falta de água. Como pode bairros inteiros ficarem horas sem abastecimento e não existir sequer um comunicado?
Não se trata apenas da água que falta. Trata-se da ausência de informação. Quem não possui caixa d’água depende exclusivamente do fornecimento regular. Quando ele falha, a solução é gastar mais: água mineral, caminhão-pipa, improvisos. A conta chega todo mês. O corte por atraso é rigoroso. Mas quando o serviço é interrompido, a transparência não acompanha a mesma agilidade.
A Zona Oeste não pode ser tratada como área secundária quando o assunto é serviço essencial. Se há manutenção, que se informe. Se há problema técnico, que se explique. O que não é aceitável é o silêncio — porque quem paga pelo serviço todos os meses merece respeito, transparência e previsibilidade.
Água não é favor. É serviço básico. E serviço básico exige responsabilidade e clareza com a população.
O espaço segue aberto para que a Caern se manifeste oficialmente.

